terça-feira, 13 de novembro de 2007

A Little Learning

A little Learning is a dang'rous thing;
Drink deep, or taste not the Pierian spring:
There shallow draughts intoxicate the brain,
And drinking largely sobers us again.
Fir'd at first sight with what the Muse imparts,
In fearless youth we tempt the heights of Arts,
While from the bounded level of our mind,
Short views we take, nor see the lengths behind;
But more advanc'd, behold with strange surprise
New distant scenes of endless science rise!

Alexander Pope
o poeta não vive, morre. Um dia evapora-se.
Quero o impossível, e se isso não puder ser não quero mais nada!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Toda a vida é pequena para a vida. Não há que procurar viver tudo, nem tudo o que há vale a pena ser vivido. O que há é procurar aquilo que nos pode ensinar mais, que nos pode fazer crescer mais, e a isso dedicar todas as nossas horas. Tudo o resto é desprezável.

domingo, 11 de novembro de 2007

a única coisa objectiva que existe no mundo é a matemática, e mesmo essa não escapa à subjectividade de quem constrói os axiomas nos quais ela se suporta.

sábado, 10 de novembro de 2007

And now, for something completely different

Um tributo mais que merecido a todas as canções pop americanas que têm tanto sucesso além-fronteiras (será que é porque as pessoas não percebem nada do que elas dizem?)


Rihanna - "Umbrella"

Tu foste o dono do meu coração
[mantêm-se as relações de escravo e senhor, e não admira... a Rihanna é preta. Vem até mesmo a calhar, se fosse na Roma Antiga os dezanove anos dela eram já idade ideal para emprenhar e parir filhos]
Nunca estaremos em mundos diferentes
[e isso é que me assusta, perpetua-se a inacção e a estagnação, o mundo nunca muda, permanece sempre o mesmo]
Talvez em revistas
[que agradável quadro este, sobretudo se pensarmos na "Maria"]
Mas tu ainda serás a minha estrela
[estrela cadente, só pode: quanto mais alto eles sobem maior é depois a queda]
Baby, [bebé lembra mesmo pornografia infantil] porque na escuridão
Tu não podes ver carros reluzentes
[mas que pena! nem podes ver os videoclips de outros pretos cheios de ouro até aos dentes com gajas nuas/semi-nuas a abanarem os abonos de família]
É quando tu precisas de mim ali
[portanto só quando é preciso, ora aqui temos um caso típico de dependência]
Contigo eu sempre partilharei
[contigo e talvez não só, é a prostituição do ser em plena acção]
Porque
[será mesmo preciso explicar mais alguma coisa?! Nós já percebemos tudo...]

Quando o sol brilha
Nós brilhamos os dois
[isso só faz lembrar paparazzis, luzes da ribalta, cultos big brotherianos a coisas postiças e que não têm existência própria]
Disse-te que estaria aqui para sempre
[abre os olhos, amiga, tudo é impermanente! Quando um dia souberes o futuro fazes mais pela vida se começares a ler a sina]
Disse-te que seria sempre tua amiga
[também eu e já deixei de falar a umas quantas pessoas... e qualquer dia os dedos da mão não chegam para as contar!]
Então vem daí para fora e cola-te a mim até ao fim
[cá está, a constatação de que se trata realmente de uma relação baseada na dependência, como qualquer resposta a uma droga]
Agora que está chovendo mais do que nunca
[olhem aí os sinais do Grande Cataclismo, vem aí o fim do mundo, o Inimigo Muçulmano está mesmo prestes a cair sobre vós, tenham medo, protejam-se, desconfiem de todos!]
Fica sabendo que nós ainda nos teremos um ao outro
[o verdadeiro culto ao ter, não há nenhum vestígio do ser]
Podes ficar debaixo da minha sombrinha
[há quem prefira guarda-chuva]
Podes ficar debaixo da minha sombrinha
(inha inha, a a a)
Debaixo da minha sombrinha
(inha inha, a a a)
Debaixo da minha sombrinha
(inha inha, a a a)
Debaixo da minha sombrinha
(inha inha, a a a)
[de facto, ficar à sombra de alguém não abona muito a favor da pessoa... ficar à sombra da bananeira, ficar na sombra de alguém, no fundo, permanecer submisso àquilo que os governos ditam, ser bem-comportado, obediente, como um autómato perfeito]

Porque tudo
Nunca se virá meter no meio
[pois não, com o cu num sofá a ver televisão e a ser hipnotizado pelas políticas conservadoras Bush e pela Igreja Evangélica alimentando-se de lixo MacDonaldiano de certeza que não acontecerá nada de mal, e mesmo que aconteça ninguém dará por isso]
Tu és uma parte da minha entity
[por que carga d'água se entitula ela de entidade? Para isso era preciso que ela fosse alguma coisa, não é verdade?]
Aqui e para a eternidade
[agora esta já conhece o futuro e tudo, é o que eu digo: vai para cartomante, ou para cheiromante, que te safas melhor. Tem é cuidado, não te façam eles uma makumba das grandes...]
Quando a guerra tiver feito a sua parte
[mensagem de rodapé: vamos deixar a guerra lá no seu sítio, bem longe de nós, não temos nada a ver, desliguemo-nos da guerra, os governantes que o decidam]
Quando o mundo tiver jogado a sua carta
[deixa o mundo jogar as cartas todas, permanece impávido e sereno como um sereno estúpido mortificado]
Se a mão for pesada
[mas ainda restam dúvidas?!]
Juntos nós iremos medi-lo
[esta tendência ocidental de medir tudo o que lhes aparece à frente... mesmo que não faça sentido medir uma coisa que se ignora]
Porque

[mais do mesmo]
Quando o sol brilha
Nós brilhamos os dois
Disse-te que estaria aqui para sempre
Disse-te que seria sempre tua amiga
Então vem daí para fora e cola-te a mim até ao fim
Agora que está chovendo mais do que nunca
Fica sabendo que nós ainda nos teremos um ao outro
[estas palavras lidas assim todas de repente até me dão arrepios]
Podes ficar debaixo do meu guarda-chuva
[vamos ver se fica melhor]
Podes ficar debaixo do meu guarda-chuva
(uva uva, a a a)
Debaixo do meu guarda-chuva
(uva uva, a a a)
Debaixo do meu guarda-chuva
(uva uva, a a a)
Debaixo do meu guarda-chuva
(uva uva, a a a)
[conclusão: não, não fica melhor. Mas como tem fruta é mais saudável]


A exegese de todos os produtos culturais de uma dada cultura é essencial para chegar até ao seu verdadeiro significado.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

não existe nada real que não se encontre primeiro na imaginação.

i'm a twentysomething

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

pesa-me na inteligência querer ser tudo e o não conseguir. Pesa-me não escrever tanto e tão bem como Pessoa, não porque me faltem os modos e os estados que até ele me levariam, mas antes porque decidi não abandonar estudos universitários. A falsa erudição é um mal necessário para se poder comprar a liberdade neste mundo. Somos escravos do dinheiro, e mal de nós se não empregamos todas as nossas forças em reunir um quinhão que nos permita fazer aquilo que nos apetece. Mal de nós se temos sentimentos megalómanos, ou ambições desmedidas. Mas, por sorte, ou pela natureza que é própria ao que sou, calhou-me desejar sentir sozinho e com muito pouco apoio físico por onde me exprimir. Uns meios são melhores que outros, é certo, um teclado de computador, quando se está bem treinado na arte de dactilografar, pode discorrer a uma taxa que é mais amiga ao revolver da alma. Guardei as coisas realmente grandes para o sonho, e a verdade é que não há nada mais grandioso onde as poderia guardar. O mistério, talvez, mas esse não me pertence, se é que algo me pertece, apenas a sua presença troça de mim como uma criança de qualquer gesto pensado ou indecisão de adulto.

domingo, 4 de novembro de 2007

o verdadeiro problema que há nas pessoas não é o estarem sempre presentes, é o nunca deixarem de estar ausentes.
Kafka é o maior profeta do nosso tempo.
a partir do momento em que descobrires o que queres passarás a maior parte da tua vida sozinho.

Há esse enorme

Há esse enorme desafio no meu país de que a terra se reconcilie consigo própria, e eu escrevi um livro que se chama Estórias Abensonhadas. Esse termo abensonhadas surgiu no dia em que Moçambique, depois desse tempo amargo de guerra, conquistou a paz. Foi assinado o acordo de paz, e eu pensava que ia encontrar as pessoas festejando na rua, porque havia uma imensa alegria escondida por trás daquele acontecimento oficial. Mas ninguém saiu para a rua. Uma semana depois, sim, as pessoas saíram para a rua porque choveu. Então, eu vi que a mesma razão que ditava a guerra, que eram os antepassados, os deuses antepassados estavam zangados com os homens, esses mesmos deuses tinham aprisionado as chuvas. E o fato de eles terem liberado a chuva , agora significava que sim, que era verdade a notícia de paz; vinha não pelo rádio, não pelo jornal, mas pela própria chuva. Daí a chuva ser tida como abençoada, como sonhada, como abensonhada.

Mia Couto

ceci n'est pas un blog

c'est une métaphore
aos dezoito anos começa a falsa maioridade. Maior em quê não sei. E hoje em dia com toda essa estupidificação que para aí anda, com a simplificação dos currículos escolares, especialmente o de português, com a matematização até daquilo que não pode ser matematizado, fica apenas poeira, e da grossa. Aos vinte e um anos começa a verdadeira maioridade. Pelo andar da carruagem em que vamos daqui a uns tantos anos passam a ser os vinte e um a falsa maioridade, já nem a faculdade escapa à estupidificação emanante das profundezas da ignorância. E depois serão os vinte de quatro a verdadeira maioridade, ninguém terá dinheiro para sair de casa dos pais, os únicos que estarão mais ou menos, dos velhos já ninguém quer saber, dos novos ninguém lhes abre portas, só fechando mais do que abrindo se ganha alguma coisa de coisa nenhuma. A esperança de vida, expressão curiosa, tenho a esperança, digo, espero que viva estes ou aqueles anos, mas que sabemos nós, sei lá eu, nem tu, nem eu, nem ninguém, ninguém sabe o que aconteceu quanto mais o que vai acontecer, mas uma coisa será certa, os velhos vão passar a mais velhos ainda, os novos vão ficar mais novos e imberbes e impacientes, e os do meio, que já andam afundados nas lides da exploração do povo pelo estado, vão ficar ainda mais atolados, e vergar-se ainda mais. Tal é a vida e o nosso destino de imitadores do estrangeiro.
amo a vida, por isso sou biólogo. Não é razão que chegue?

a dança do gafanhoto na gota de chuva

Miss Regina Spektor

sábado, 3 de novembro de 2007

desconfia de todo aquele cuja intenção se não revela.
só existem duas coisas verdadeiras na vida: a poesia e a prosa. A poesia é a nossa natural linguagem, a nossa voz mais autêntica; a prosa não passa de uma mutilação da poesia que nos obrigam a escrever para que os outros gostem de nós.
nunca confies em alguém que não te olha nos olhos quando fala contigo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

somos os eternos escravos daquilo que não controlamos.