segunda-feira, 29 de outubro de 2007
faz sentido que exista um Rei a partir do momento em que se encontra em alguém e se lhe reconhecem capacidades que não se encontram em nenhum dos restantes homens de uma Nação. Na verdade, encontrar encontra-se sempre; o pior é que nunca se lhe reconhece nada, e por isso não há Reis onde poderia haver. Na Idade Média era tudo mais simples: reunia-se um exército, combatia-se cara a cara com bravura, e quem tinha a maior perícia, aliada a uma grande dose de astúcia, ganhava.
domingo, 28 de outubro de 2007
A Lissão
Aluna
Um... dois... depois três... quatro...
Professor
Alto. Qual é o número maior: três ou quatro?
Aluna
O quê? Três ou quatro? Qual é o maior? Maior em que sentido?
Professor
Há números maiores e outros menores. Os maiores têm mais unidades do que os menores. A menos que os menores tenham unidades mais pequenas. Se forem muito pequenas, pode acontecer que haja mais unidades nos números menores do que nos maiores... Se se trata de outras unidades...
Aluna
Quer dizer que os números menores podem ser maiores do que os números maiores?
Professor
Deixemos isso. Levava-nos muito longe. Saiba apenas que não há só números... Também há grandezas, quantias, conjuntos, montes e montes de coisas, ameixas, vagões, gansos, pepinos, etc. Simplesmente para facilitar o nosso trabalho, supunhamos que só temos números iguais. Sendo assim, os maiores serão os que tiverem mais unidades iguais.
Aluna
O número que tiver mais unidades será o maior? Ah, compreendo! O senhor identifica a qualidade com a quantidade.
Professor
O que diz é demasiado teórico, menina. Não se preocupe com isso. Concentremo-nos neste caso preciso e deixemos para mais tarde as conclusões gerais. (...)
A Lição dada por Eugène Ionesco
Um... dois... depois três... quatro...
Professor
Alto. Qual é o número maior: três ou quatro?
Aluna
O quê? Três ou quatro? Qual é o maior? Maior em que sentido?
Professor
Há números maiores e outros menores. Os maiores têm mais unidades do que os menores. A menos que os menores tenham unidades mais pequenas. Se forem muito pequenas, pode acontecer que haja mais unidades nos números menores do que nos maiores... Se se trata de outras unidades...
Aluna
Quer dizer que os números menores podem ser maiores do que os números maiores?
Professor
Deixemos isso. Levava-nos muito longe. Saiba apenas que não há só números... Também há grandezas, quantias, conjuntos, montes e montes de coisas, ameixas, vagões, gansos, pepinos, etc. Simplesmente para facilitar o nosso trabalho, supunhamos que só temos números iguais. Sendo assim, os maiores serão os que tiverem mais unidades iguais.
Aluna
O número que tiver mais unidades será o maior? Ah, compreendo! O senhor identifica a qualidade com a quantidade.
Professor
O que diz é demasiado teórico, menina. Não se preocupe com isso. Concentremo-nos neste caso preciso e deixemos para mais tarde as conclusões gerais. (...)
A Lição dada por Eugène Ionesco
Os Jericos
Acaba de chegar até nós, nesse grandioso canal de televisão que dá pelo nome de SIC, a série que já fez as delícias dos milhares de americanos que nasceram agarrados a um aparelho de televisão. É nada mais que a série "Jericho", uma série em que um ataque nuclear - ainda não se sabe mas de certeza terrorista - destrói tudo o que dá pelo nome de civilização à excepção de uma pequena terriola que podia ter sido muito bem aquela que viu nascer Bush. O português tem destas coisas, e até um nome tão inocente como Jericho, ou Jericó, que até de inocente não tem nada, mostra a sua real face na nossa língua: a série que transforma quem a vê em autênticos jericos. Uma série de qualidade mediana-baixa que tem como pano de fundo um cenário de pânico generalizado só pode fazer-nos desconfiar... Trata-se de mais uma arma de arremesso de Bush para instilar o medo nas mentes das pessoas e justificar a sua estupidez e prepotência. Façam um favor às vossas mentes e não percam tempo com coisas obsoletas.
O Triunfo do Id
Se por mais que sublimemos sob esta ou aquela forma as nossas pulsões incontroláveis elas voltam sempre, então a única forma de saciar a sua fome é realizá-las por completo.
O que há a fazer hoje é soltar as amarras da imaginação!
Vivemos demasiado tempo presos às ficções sociais, elas tolhem e embrutecem os nossos movimentos!
A única palavra de ordem é aquela que sai de enxurrada sem pedir permissão a ninguém!
O problema não foi ter-se aberto a caixa de Pandora, o problema foi não saber o que fazer com todos esses males do mundo!
O problema está em procurar objectivar o que é subjectivo e subjectivar o que é objectivo!
O problema está em ver problemas onde eles não existem!
O problema está em deixar que as pessoas deixem de ser pessoas para se transformarem em problemas!
O problema está todo em quem concebe os execráveis currículos escolares!
O problema está em quem se senta à cadeira do poder e a última coisa que faz é governar o país!
O problema está numa europa chupista que procura a todo o custo mitigar a voz individual e única de cada Nação!
O problema está em haver pessoas que se dedicam exclusivamente a conceber problemas!
O problema está em morrerem os Boris Vian do nosso tempo!
O problema está em não existirem mais Pessoas e Cesarinys!
O problema está em se querer compreender o complexo sem se compreender primeiro o simples!
O problema está em todos e em cada um!
O problema da morte está todo na vida, à nossa volta!
O problema está na estupidificação que a televisão faz às pessoas!
O problema está na estupidificação que os computadores fazem às pessoas!
O problema está na falta de vista e na ausência de quem a torne mais clara!
O mundo está todo doido, está virado de pernas para o ar, sempre esteve, e muitos ainda querem que ele esteja, o mundo está mal, vai mal, está doente, e isso é que é o verdadeiro problema, o problema que é preciso superar!
Se tanta gente já indicou o caminho de que é que estamos à espera?
Se tantos já escreveram tanto sobre tudo como é que ninguém sabe nada?
Se tantos já enalteceram a nobreza verdadeira do que é verdadeiramente Nobre, então porque é que todos se comportam como pequenos-burgueses?
Se tantos já levaram a sua nau a esta Índia e à outra porque é que tantos teimam em afundar-se?
Se tantos já estenderam a mão o que é que faz com que outros a não agarrem?
Se tantos já saciaram a sua fome porque é que tantos teimam em fazer jejum?
Se não podemos lutar contra as forças internas à nossa natureza porque tantos teimam em furtar-se a elas?
Vivemos demasiado tempo presos às ficções sociais, elas tolhem e embrutecem os nossos movimentos!
A única palavra de ordem é aquela que sai de enxurrada sem pedir permissão a ninguém!
O problema não foi ter-se aberto a caixa de Pandora, o problema foi não saber o que fazer com todos esses males do mundo!
O problema está em procurar objectivar o que é subjectivo e subjectivar o que é objectivo!
O problema está em ver problemas onde eles não existem!
O problema está em deixar que as pessoas deixem de ser pessoas para se transformarem em problemas!
O problema está todo em quem concebe os execráveis currículos escolares!
O problema está em quem se senta à cadeira do poder e a última coisa que faz é governar o país!
O problema está numa europa chupista que procura a todo o custo mitigar a voz individual e única de cada Nação!
O problema está em haver pessoas que se dedicam exclusivamente a conceber problemas!
O problema está em morrerem os Boris Vian do nosso tempo!
O problema está em não existirem mais Pessoas e Cesarinys!
O problema está em se querer compreender o complexo sem se compreender primeiro o simples!
O problema está em todos e em cada um!
O problema da morte está todo na vida, à nossa volta!
O problema está na estupidificação que a televisão faz às pessoas!
O problema está na estupidificação que os computadores fazem às pessoas!
O problema está na falta de vista e na ausência de quem a torne mais clara!
O mundo está todo doido, está virado de pernas para o ar, sempre esteve, e muitos ainda querem que ele esteja, o mundo está mal, vai mal, está doente, e isso é que é o verdadeiro problema, o problema que é preciso superar!
Se tanta gente já indicou o caminho de que é que estamos à espera?
Se tantos já escreveram tanto sobre tudo como é que ninguém sabe nada?
Se tantos já enalteceram a nobreza verdadeira do que é verdadeiramente Nobre, então porque é que todos se comportam como pequenos-burgueses?
Se tantos já levaram a sua nau a esta Índia e à outra porque é que tantos teimam em afundar-se?
Se tantos já estenderam a mão o que é que faz com que outros a não agarrem?
Se tantos já saciaram a sua fome porque é que tantos teimam em fazer jejum?
Se não podemos lutar contra as forças internas à nossa natureza porque tantos teimam em furtar-se a elas?
sábado, 27 de outubro de 2007
no mundo em que vivemos até bocejar de boca aberta é considerado uma grandiosa disposição de ânimo e um statement em relação ao que se quer que seja. Só é pena ninguém saber bocejar, apenas abrir a boca, ou então imitar alguém que coça o nariz, ou estar sempre a abrir e a fechar a boca sem sequer se ver goela nenhuma.
a vida boémia é a que mais se coaduna com o espírito libertário, livre, libertado e libertador. Todas as outras são demasiado fechadas, demasiado parcelares, demasiado pobres. Se não se procura o Grande Todo, então vive-se num buraco. Mas também é verdade que é muitas vezes necessário viver num buraco para encontrar o Grande Todo.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
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