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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

quem garante que o corpo humano, como o de outros mamíferos, possui uma simetria bilateral engana-se redondamente. Cada metade do nosso corpo é completamente diferente da outra. Basta ter em atenção o olhar, e eis que cada olho transmite uma mensagem diferente. Estudos científicos mostram que usamos preferencialmente o hemisfério esquerdo para o pensamento científico, e o hemisfério direito para o pensamento artístico; portanto, e visto que cada hemisfério coordena os estímulos do hemicorpo oposto, temos mais um argumento a atestar a assimetria bilateral do nosso corpo. Será que nos outros mamíferos também é assim?...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Pós-modernices

Parece-me bastante ridículo esse termo que por aí certas personagens andam apregoando para tentar caracterizar este nosso tempo de globalização promíscua centrada na ditadura económica. Se chamam a isto pós-moderno é certamente porque não têm a imaginação criadora que permite fazer sair sempre novos coelhos da cartola. Pós-moderno é aquilo que vem depois do Modernismo. E isso, o que é?

A incapacidade que existe em nomear algo novo, algo que surja para levar a cultura da humanidade a dar um passo em frente, deve-se também à diversidade, por vezes excessiva, de ideias que andam por aí soltas.

Depois do final do Império Grego, é a tecnologia, e não a reflexão filosófica, que comanda o avanço da cultura do Império Romano. Assim, a maior parte dos criadores que habitam este neo-império romano atem-se aos desenvolvimentos tecnológicos e cria, a partir dos novos objectos físicos que vão surgindo, e das teorias científicas que vão sendo construídas para explicar novos resultados nunca antes suspeitados, uma extensa análise reflexiva, aplicada sobretudo à vertente ética do seu uso, numa perspectiva mais aplicada, mais costumeira, mais prática.

Existem, porém, alguns rasgos de génio que teimam em marcar a diferença, primando sempre pela sacudidela mental que faz desempoeirar a consciência, e instá-la a evoluir tão depressa como os estímulos da sensibilidade que nela rapidamente se sucedem.

O Modernismo português surge como bofetada revigorante; mas ainda como resposta ao desenvolvimento tecnológico e industrial: o conceito de força, ideal estético, passa a ocupar o lugar do conceito de harmonia. O artificial sucede-se ao natural.

Porém, vemos já em Álvaro de Campos os sinais de que este ideal estético não se pode efectivar como ideal supremo para o avanço da humanidade. A dessacralização que propõe, a aniquilação da natureza, exterior e interior, de que nós próprios fazemos parte, a imposição da industriosa produtividade em oposição à serenidade contemplativa e estóica; cada um desses aspectos tende inevitavelmente para a auto-destruição. A estética modernista não é, portanto, solução para os males do mundo. A resposta tem de estar noutro lado.

Parece plausível supor que, tendo em conta a época histórica em que vivemos - ainda a de um império romano modificado ou, por outras palavras, levado ao extremo - , a solução não vá surgir de outro local que não a tecnologia ou o conhecimento científico. E, neste ponto, surge algo extremamente curioso: é que a área científica que mais irá avançar no século XXI será, sem sombra de dúvida, a Biologia; e esta área do conhecimento científico é aquela que estuda mais de perto a natureza em todo o seu esplendor orgânico, isto é, considerando os organismos como totalidades organizadas, em toda a sua complexidade. Estas considerações abrem caminho para a superação do conflito com a natureza instaurada pelos modernistas, voltando, de novo, a instaurar como ideal estético superior a harmonia natural; agora porém surge ela compreendida como resultado de uma miríade de factores que, em conjunto, permitem o funcionamento de uma entidade complexa. Esta ideia vai ser muito importante para todo a futura reflexão sobre os sistemas biológicos e sobre a consideração do conceito de vida.

São certamente os desenvolvimentos da Biologia, e sobretudo da Ecologia e da Evolução, que vão trazer o tema da integração simbiótica dos seres vivos na biosfera, no mundo, e, talvez valendo mais para o lado da física e até da metafísica, no universo.

Aqui se propõe que o novo movimento cultural, histórico, e também científico, se chame o Simbiontismo.

sábado, 26 de julho de 2008

a competição é a maneira mais rápida de atingir a comunhão.



Um dia, quando a Biologia, e especialmente a interessantíssima área da Sociobiologia, estiver mais desenvolvida, vamos chegar à conclusão de que todos os seres, em todos os momentos, tendem para a comunhão, e não para a competição. Como advoga a Professora Lynn Margulis, a sobrevalorização da competição em detrimento da comunhão deve-se essencialmente à tacanhez do espírito humano, pois encontra-se este no mundo em que hoje vivemos impregnado de terríveis conceitos e princípios económicos, na sua maioria capitalistas, e que minam todo o pensamento que se quer perfeitamente científico. Aliada a esta deturpação dos fenómenos que leva ao menosprezo dos processos simbiogénicos, está a pretensa atitude ateia, tantas vezes escorregando no antirreligiosismo, e que não deixa de ser mais uma forma de fanatismo religioso disfarçado com equações matemáticas. Curiosíssima é a constatação de que até o próprio Darwin, tantas vezes apontado como o sacerdote do "salve-se quem puder" social, deixou claro nos seus escritos, num prenúncio que até se poderia classificar como poético, que a divergência das espécies mais parece mostrar que elas são avessas a essa mesma competição: divergindo, isto é, modificando-se, podem passar a especializar-se de modos diferentes e ocupar diferentes nichos ecológicos dentro de um mesmo ecossistema, evitando a todo o custo esse peso que é ter de competir com o seu semelhante por alimento e espaço.