sexta-feira, 12 de setembro de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Definição de Simbiontismo
bios , "vida"
ont-, "ser", "existência", "organismo"
Simbiontismo será, portanto, a designação do movimento que procurará unir o físico e o metafísico, a vida orgânica com a inorgânica, a essência com a existência; e que procurará explorar os meios pelos quais as totalidades organizadas e complexas comunicam e interagem entre si.
Pós-modernices
A incapacidade que existe em nomear algo novo, algo que surja para levar a cultura da humanidade a dar um passo em frente, deve-se também à diversidade, por vezes excessiva, de ideias que andam por aí soltas.
Depois do final do Império Grego, é a tecnologia, e não a reflexão filosófica, que comanda o avanço da cultura do Império Romano. Assim, a maior parte dos criadores que habitam este neo-império romano atem-se aos desenvolvimentos tecnológicos e cria, a partir dos novos objectos físicos que vão surgindo, e das teorias científicas que vão sendo construídas para explicar novos resultados nunca antes suspeitados, uma extensa análise reflexiva, aplicada sobretudo à vertente ética do seu uso, numa perspectiva mais aplicada, mais costumeira, mais prática.
Existem, porém, alguns rasgos de génio que teimam em marcar a diferença, primando sempre pela sacudidela mental que faz desempoeirar a consciência, e instá-la a evoluir tão depressa como os estímulos da sensibilidade que nela rapidamente se sucedem.
O Modernismo português surge como bofetada revigorante; mas ainda como resposta ao desenvolvimento tecnológico e industrial: o conceito de força, ideal estético, passa a ocupar o lugar do conceito de harmonia. O artificial sucede-se ao natural.
Porém, vemos já em Álvaro de Campos os sinais de que este ideal estético não se pode efectivar como ideal supremo para o avanço da humanidade. A dessacralização que propõe, a aniquilação da natureza, exterior e interior, de que nós próprios fazemos parte, a imposição da industriosa produtividade em oposição à serenidade contemplativa e estóica; cada um desses aspectos tende inevitavelmente para a auto-destruição. A estética modernista não é, portanto, solução para os males do mundo. A resposta tem de estar noutro lado.
Parece plausível supor que, tendo em conta a época histórica em que vivemos - ainda a de um império romano modificado ou, por outras palavras, levado ao extremo - , a solução não vá surgir de outro local que não a tecnologia ou o conhecimento científico. E, neste ponto, surge algo extremamente curioso: é que a área científica que mais irá avançar no século XXI será, sem sombra de dúvida, a Biologia; e esta área do conhecimento científico é aquela que estuda mais de perto a natureza em todo o seu esplendor orgânico, isto é, considerando os organismos como totalidades organizadas, em toda a sua complexidade. Estas considerações abrem caminho para a superação do conflito com a natureza instaurada pelos modernistas, voltando, de novo, a instaurar como ideal estético superior a harmonia natural; agora porém surge ela compreendida como resultado de uma miríade de factores que, em conjunto, permitem o funcionamento de uma entidade complexa. Esta ideia vai ser muito importante para todo a futura reflexão sobre os sistemas biológicos e sobre a consideração do conceito de vida.
São certamente os desenvolvimentos da Biologia, e sobretudo da Ecologia e da Evolução, que vão trazer o tema da integração simbiótica dos seres vivos na biosfera, no mundo, e, talvez valendo mais para o lado da física e até da metafísica, no universo.
Aqui se propõe que o novo movimento cultural, histórico, e também científico, se chame o Simbiontismo.
sábado, 9 de agosto de 2008
Até onde vai a Blogosfera?
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O melhor da televisão portuguesa

Conta-me Como Foi é provavelmente a melhor série portuguesa feita nos últimos tempos. Com um humor extremamente inteligente, cativante pela sua complexa simplicidade, consegue mostrar-nos um retrato daquilo que foi viver em Portugal no final da ditadura salazarista; perdão, salazarenta. O título tem uma cadência musical tão característica da nossa língua portuguesa que pode mesmo servir como a síntese do seu brilhantismo. Como outros já o escreveram, esta série não mostra mais carne que a das mamas da República, não mostra mais coxa do que aquela que a mini-saia permite ver. Mostra-nos, isso sim, a imaginação da criança, em toda a sua originalidade e imprevisibilidade. Mostra-nos os dizeres portugueses mais corriqueiros e esquecidos da história, e que afinal fazem tanta diferença na boca e na mente das personagens. E mostra-nos sobretudo aquela que é, sem sombra de dúvida, uma das maiores actrizes portuguesas da actualidade: Rita Blanco. Os outros não se saem mal, especialmente o Miguel Guilherme, mas não há pessoa mais autêntica que a Rita Blanco.
A grandiosidade desta série está na ironia da aproximação entre os diálogos das personagens de '68 e os diálogos que se podem ouvir hoje em qualquer rua do país. Afinal, o que terá mudado? E o que não mudou? Extremamente fiel à realidade histórica, esta série é uma janela aberta para a compreensão do Portugal que temos hoje, para a realidade quotidiana de cada um. E depois temos aqueles pormenores deliciosos, como o facto da Maria Isabel ter ido assistir à representação do musical Hair enquanto esteve em Londres e ter trazido um cartaz que até meteu no quarto, e que surge no plano mais banal e natural de uma cena.
A RTP1 fez-nos um grande favor em repôr a série nestas férias. Sobretudo a mim, que não a consegui apanhar quando passou pela primeira vez e que agora posso ver um episódio por dia. Um luxo.
E o mais incrível é que existe uma petição para que a RTP1 lance os episódios em DVD. Uma excelente ideia. Não que a petição seja imprescindível, ou que leve mesmo à comercialização da série; mas sobretudo para mostrar um sinal de apreço em relação àqueles que batalham incansavelmente em prol da cultura portuguesa.
Acabou-se a brincadeira
[Howard Chudacoff investigou a evolução dos brinquedos e brincadeiras ao longo dos tempos e mostra agora no seu novo livro como o nosso actual estilo de vida pode ser prejudicial ao desenvolvimento das mais importantes faculdades humanas.]
By PATRICIA COHEN
published in The New York Times, August 14, 2007

For children, play is easy. You can do it anytime, anywhere, with anyone, and it’s fun. For adults, play is hard. They want to know if it’s safe for their kids, if it’s educational, if it promotes motor coordination, if it’s environmentally friendly, if it will look good on a preschool application.
The tension between how children spend their free time and how adults want them to spend it runs through Howard P. Chudacoff’s new book, “Children at Play: An American History” (New York University Press), like a yellow line smack down the middle of a highway.
“Kids should have their own world, and parents are nuisances,” said Mr. Chudacoff, a professor of history at Brown University.
His critique is increasingly echoed today by parents, educators and children’s advocates who warn that organized activities, overscheduling and excessive amounts of homework are crowding out free time and constricting children’s imaginations and social skills.
“It seems like a really timely book,” said Cindy Dell Clark, a historian at Penn State Delaware County and a consultant to the Please Touch Museum in Philadelphia. “We’ve taken a lot of privacy and autonomy out of a child’s day.”
The topic may seem an odd choice for Mr. Chudacoff, 64, given that he has no children of his own, but then again, Mr. Chudacoff is also the author of a book about bachelors (“The Age of the Bachelor,” Princeton University Press, 1999) even though he has been married for nearly 40 years.
He became interested in the idea for this latest book after coming across a book from the 1950s by Robert Paul Smith titled “Where Did You Go? Out. What Did You Do? Nothing.”
“He was trying to show that adults can be too intrusive,” Mr. Chudacoff explained. Children want to keep their world private, and “it was that world outside of adulthood that I tried to get access to.”
It was a hot, muggy day in Providence, and Mr. Chudacoff was standing in the middle of a small, brightly colored playground with a rubberized base beneath the swings and soft wooden chips around the plastic slide and monkey bars. With school out, many children were at camp or on vacation or in an air-conditioned living room watching television. Wherever they were, though, they were not here. The playground was deserted.
Playgrounds first found their way to the United States from Germany in the 1880s. They spread after the turn of the 20th century, Mr. Chudacoff said, with the idea of keeping children, particularly immigrant and working-class boys, from running wild on the streets of growing cities and from the seductive lure of pool halls and penny arcades.
Boys and girls were segregated, and trained supervisors kept watch. The idea was not simply to provide a play space but also to instill virtue.
Playground supervision “makes it a school of character and of all the social virtues,” Henry S. Curtis, a psychologist who helped form the Playground Association of America in 1906, declared, “whilst the unsupervised playground is apt to get into the hands of older boys, who should be working, and train the children in all of the things they ought not to be trained in.”
Today playgrounds are once again a topic of public debate, only now concerns for educational and environmental values have replaced moral ones. An environmentally friendly restroom with a planted roof and walls is planned for a playground that a celebrity architect, Frank Gehry, has agreed to build in Battery Park in Lower Manhattan.
Meanwhile, the Rockwell Group has designed a play area for South Street Seaport in Lower Manhattan that is based on the “adventure playgrounds” popular in Europe, where there are lots of loose parts, like blocks and buckets, so that children can express their creativity.
What strikes Mr. Chudacoff about the new designs, though, is their built-in need for attendants or “facilitators” — evidence of the familiar impulse to impose adult control.
As Ms. Clark notes, “Parents are thinking that they’re helping kids with play that has a goal.” But she adds, “It’s not really play, because play is something that’s self-determined.”
Mr. Chudacoff grew up in Omaha, the eldest of three children. In the late 1950s and early ’60s, he worked in his uncle’s toy distributing business during summer holidays. “I worked in the warehouse, loading and unloading toys, and packing boxes to be shipped,” he said.
It was right around the time that the toy business was transforming itself. In 1955 “The Mickey Mouse Club” had its premiere on television, running five days a week and sponsored partly by the Mattel Toy Company. Mr. Chudacoff quotes Sydney Ladensohn Stern and Ted Schoenhaus in their book, “Toyland: The High-Stakes Game of the Toy Industry”:
"Mattel’s decision to advertise toys to children on national television 52 weeks a year so revolutionized the industry that it is not an exaggeration to divide the history of the American toy business into two eras, before and after television.”
It divides the history of play, too, Mr. Chudacoff said, because while commercial toys have almost completely colonized children’s free time, for most of history, play primarily meant roaming around the countryside or improvising with objects found or made at home.
Mr. Chudacoff led the way to a small, old-fashioned Providence toy store, Creatoyvity, which carries hardly any toys licensed from television and movies. Mr. Chudacoff looked over the figures of knights and kings, gorillas, giraffes, cows, monkeys, rhinos, chickens and dinosaurs, as well as the beads, blocks, paint, glitter, trucks, cranes, tractors and wooden toys imported from Germany.
“It’s a toy store rather than an entertainment center,” Mr. Chudacoff said, explaining that with so much commercial licensing, toys have become more of an offshoot of the television and film industries than elements of play.
One result is that a toy comes with a prepackaged back story and ready-made fantasy life, he said, meaning that “some of the freedom is lost, and unstructured play is limited.”
Video games put more of a straitjacket on imagination, he complains. And online versions of traditional games like Monopoly don’t permit players to make up their own rules (like winning money when you land on Free Parking), to harvest the fake money and dice for an altogether different game or even to cheat.
Janet Golden, a historian at Rutgers University in Camden, N.J., who is writing a history of babies in the 20th century, points out that when Dr. Seuss’s “Cat in the Hat” was published, in 1957, there were “objections to children using their imaginations — it was subversive” for them to be on their own without the watchful eyes of a mother.
Looking back at diaries, baby books and letters before World War II, Ms. Golden described how people would matter-of-factly write about how “the baby fell down the staircase, the baby fell out of the window.” It used to be accepted, she said, “that in the world, there was a lot of danger, and things happened.”
Sitting on the edge of a slide in the Providence playground, Mr. Chudacoff said that he has two great-nieces who go to a nearby elementary school that doesn’t permit children in kindergarten through third grade to run, jump rope or throw balls during recess for fear of accidents.
“What do they want them to do?,” he said, shaking his head, “stand around and buy drugs?”
Let the sunshine in
‘Hair’ Revival: A Time Warp for Tears and Fun
by PATRICIA COHEN

Felice Friedman remembers seeing the original production of “Hair.” She was 19 and had traveled to Broadway’s outlands, downtown on Lafayette Street, where Joseph Papp inaugurated the Public Theater with this revolutionary rock musical 41 years ago.
“It was fresh and thrilling and young and energetic,” Ms. Friedman, 59, said on a recent humid night in Central Park during intermission at the Public’s outdoor revival of “Hair.”
The question, of course, is whether this latest incarnation of the hit show, which formally opens on Thursday, will be able to capture that feeling of immediacy and relevance. Perhaps more than any musical, “Hair” is embedded in time. Its score became the soundtrack of a generation enraged by the war in Vietnam and disillusioned with traditional American values; a yelp against consumerism, sexual repression, racism, pollution and conformity. During performances in San Francisco, a mecca for hippies who would often wander onto the stage and dance with the cast, it could be difficult to discern the difference between fiction and reality.
Hair é um musical de 1967 que teve um sucesso enorme por toda a América, passando pela Broadway e por vários outros estados norte-americanos, multiplicando-se além-fronteiras e desembocando num filme, também musical, concluído em 1979 por Milos Forman (o autor de pérolas como Amadeus) e que mantém hoje a sua frescura original tão intacta como há quase 30 anos atrás. Duas das músicas que nele figuram são conhecidíssimas, e verdadeiros statements que marcaram e ainda marcam a cultura da humanidade: uma é a Aquarius, que fala sobre a chegada da Era de Aquário; a outra é a Let the Sunshine In, que também dispensa apresentações. É incrível como estes pedaços de cultura, ainda que herdeiros directos do seu contexto histórico, conseguem resistir à passagem do tempo e manter viva toda a sua energia.
Quanto a Portugal, parece que ninguém ouviu o que disse. Mas algum eco das minhas palavras deve ter chegado até New York City! A teimosia americana em ostentar como seu o estandarte imperialista da Roma Antiga está a fazer aparecer, por todo o lado, coisas interessantes. Quando olhamos para o cinema que se faz hoje em dia, os exemplos abundam! Só em Portugal é que a polémica arrefece antes mesmo de ser parida...
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
as editoras continuam a estar em boas mãos
A Nova Espécie MODELO-E-ACTOR
Anúncio da RTP1 para castings:
Queres ser modelo e actor?
Mas que admirável mundo novo é este! Acabámos de descobrir que a profissão de modelo está condenada à extinção. Agora qualquer um é demasiado inteligente para ser profissional em apenas uma área, já nem sequer existem manequins (palavra mais horrível, fala mesmo por si) profissionais nem nada, agora só existem os MODELOS-E-ACTORES. Esta pode ser considerada uma nova espécie, cujo crescimento exponencial foi em muito fomentado pelas novas séries para jovens rebeldes... (hão-de reparar, mas todas essas séries fazem questão em sublinhar que só tratam de gerações rebeldes. Eu realmente só gostava de saber qual é a origem de tanta revelia... tudo bem que se seja rebelde, mas rebelde em relação a quê?)
Só podemos concluir que esta novíssima espécie é uma perigosa infestante extremamente voraz: está a exterminar os manequins profissionais, está a conseguir exterminar os actores profissionais, está a conseguir exterminar os comunicadores e os jornalistas, que essa nova coisa de MODELO-E-ACTOR já serve até para apresentar programas... sugiro que se tomem medidas drásticas para acabar com esta autêntica praga, porque qualquer dia eles, à falta de alimento, e tendo já extinto tantas espécies, podem começar a voltar-se para os políticos e tomar conta das rédeas (quais rédeas?) do país...
sábado, 2 de agosto de 2008
as editoras estão em boas mãos
Antes de rasgar cuidadosamente este belo exemplar de papel pronto a reciclar, dei de caras com algo deveras curioso. Diria até, caricato. Façamos o raciocínio:
A "Presença" é uma editora.
As editoras editam livros.
LOGO, quem assina um catálogo de novidades em matéria de livros é alguém altamente especializado no mundo da literatura que saberá, melhor que ninguém, justificar-se perante a escolha de determinados títulos para edição em detrimento de outros.
Até aqui, tudo bem.
Então... por que raio é que quem assina o catálogo das novidades é um DIRECTOR DE MARKETING?!
terça-feira, 22 de julho de 2008
Apologia ao surfista
Se outrora foi Portugal reino de grande e abundante navegador que, apesar de analfabeto e sem saber declinações latinas ou diálogos gregos conseguiu cruzar os oceanos que separavam o mundo e unir as terras que havia separadas, hoje, diremos nós, é o nosso Portugal tão digno de reverência como esse das glórias passadas; e tudo se deve, ainda, à magnífica costa e às belíssimas praias que doiram a orla das suas vestes. Que esse minério precioso que tanto general espanhol cobiçou fosse valioso; que essa talha que orna o altar-mor da basílica de S. Pedro seja digna de admiração; que os tesouros de Versailles sejam de um luxo sumptuoso que pasmou príncipes e princesas; nada disso pomos nós em causa; mas a verdade é que nenhum desses tesouros, já de si tão grandes e elevados, se compara ao ouro verdadeiro das areias do nosso Portugal. Curiosa afirmação esta, poderá pensar o incauto leitor que deve reverência, assim como todos nós, aos ombros dos gigantes do passado nos quais nos sentamos ou alegremente nos empoleiramos para ver mais longe; curiosa afirmação que vota todas essas criações da natureza para um patamar inferior ao da vulgar areia de qualquer praia portuguesa; é esta, porém, afirmação ponderada e em tanto verdadeira como o leitor verá já de seguida.
Elogio ao Surfista (inédito)