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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Como já tivemos oportunidade de ver, o desenvolvimento da economia capitalista, ainda que traga muitos benefícios ao nível dos meios de transmissão de informação que podemos utilizar, acarreta também, e inexoravelmente, a degradação das características que, com ânimo, podemos classificar como intrinsecamente humanas. Dir-se-ia que o preço a pagar pelo desenvolvimento da economia capitalista, digamos assim num sentido bem lato, da pragmaticidade romana; o preço que estamos pagando pela livre competição, que aliás nunca é livre enquanto não for libertada do peso do dinheiro; esse preço é o sacríficio daquilo que em nós há de humano, de compassivo, de protector ou benfeitor dos homens, de ético, enquanto filosofia de vida, e de moral, enquanto prática dos costumes quotidianos. Torna-se, assim, bem evidente o local em que estamos hoje aportados: o deserto verdadeiramente filosófico como o era na Grécia Antiga, a ausência de ideais, a diluição dos nacionalismos, a asfixia da história, a ausência de pensamento. De facto, são estas características que naturalmente levam à ruína das civilizações, e que têm deixado tantos homens cair no abismo da ignorância. Dado o desenvolvimento tecnológico que hoje temos ao dispor de cada um, e embora haja ainda muita pobreza que é preciso instrui, se não surge um plano eminentemente prático para dar razão a todo o fundamento cultural que em nós existe, estamos condenados a desaparecer. E aqui se explica ainda o porquê de tão apocalíptica visão: é que a economia capitalista tem duas características extremamente importantes que a conduzem a ela - e, na verdade, a todos os que dela dependem - à destruição. A primeira característica é o facto da economia capitalista ser autofágica, isto é, de se levar, pelo seu desenvolvimento, à autodestruição. Exemplo bem claro é o da destruição dos nossos ecossistemas naturais, destruição essa que, uma vez desregulando completamente o seu funcionamento, isto é, desregulando a sua ecologia, os corrompe por uma quantidade de tempo que, se não é infinita, pelo menos a nós nos parece como tal. Já, pelo menos, desde os tempos de Lineu, e estávamos então nos princípios do século XVIII, havia a noção de que uma economia só pode ser regulada por uma ecologia cuidada e sustentada do meio onde as matérias-primas necessárias a essa mesma economia se encontram. A segunda característica, que decorre da primeira, é o facto do desenvolvimento da economia ser cíclico; e é evidente este facto quando consideramos as crises periódicas que o atravessam, de que foi exemplo aquilo que ficou conhecido como a grande depressão americana, com o colapso da bolsa de Wall Street. Se não existem mecanismos reguladores, exactamente como na homeostase de um qualquer organismo vivo, que possam prever ou contrabalançar a produção massiva de produtos cujo objectivo é apenas o de gerar capital, então, o próprio capital, se consome a si mesmo, e consome-se porque, qual maquinação estéril, não é capaz de gerar descendência: é apenas um beco sem saída. Enquanto não se compreender que o desenvolvimento de uma economia tem de ser finamente coordenado, exactamente como no caso dos organismos vivos, por uma cibernética adequada, por uma equilibração entre a manutenção de homeostases que possibilitem os desenvolvimentos e as expansões e evoluções homeorréticas, estaremos todos à beira dessa grande abismo que não poupará ninguém no momento em que a economia soçobrar.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A imaginação é a memória que enlouqueceu.
(Mário Quintana)


a imaginação é memória porque não existe nada a que chamemos imaginação que não se encontre primeiro na nossa memória. A imaginação não tem nada de verdadeiramente original, trata-se apenas de uma reorganização dos elementos (das partes) com as quais já tivemos contacto, assim como a imagem de um pégaso resulta da combinação de dois elementos perfeitamente banais que já existiam na imaginação: um cavalo e umas asas. A combinação de diferentes partes é mais sublime quando a loucura se apodera de nós, ou quando a ela estamos mais receptivos. A desordem é a força motriz da imaginação. E a imaginação só não é memória quando de uma nova combinação surge uma propriedade completamente diferente, um princípio emergente.