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sábado, 26 de julho de 2008

o Artista

o Artista não escreve para ninguém, senão para ele próprio. Prova disso é que ele apenas usa a sua língua.

o Artista escreve para que todos o leiam. Prova disso é que ele arranja todos os meios para que as pessoas leiam aquilo que escreve.

o Artista, se é Artista, não pede permissão a ninguém. Nunca a imaginação pediu permissão para se expressar.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

because love is all, love is new



a provar que ainda há quem faça autênticas obras de arte, está este magnífico Across The Universe inexoravelmente marcado na minha cabeça. E em tudo aquilo que a cabeça transcende.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Todo o realizador de cinema ou mero crítico tem de ser instruído na arte da representação. Não é possível dirigir actores numa peça, seja ela filmada por câmaras ou não, se não se sabe o significado da palavra representação. O realizador tem de sentir aquilo que o actor sente para poder criar uma peça de teatro autêntica, ou um filme que viva e respire como algo verdadeiro. A matriz do cinema é o teatro. Não é possível ser-se autêntico sem compreender o que está na matriz. O crítico de cinema precisa de ser instruído na arte da representação por, sobretudo, duas razões: primeiro, para saber o que é o sentimento e o que é sentir, e não se esquecer de que a intensidade dramática das personagens é apenas o meio pelo qual elas comunicam entre si e se tornam comunicáveis a todos; segundo, para compreender a intensidade que a palavra pode ter, não como elemento dramático ou representação de uma emoção, mas sim como símbolo de uma realidade conceptual, de uma mensagem que se cumpre pela palavra apenas para se tornar inteligível; de um signo limitado e finito que representa uma realidade infinita e abstracta, e que é a única coisa pela qual vale a pena produzir uma obra de arte.

domingo, 6 de julho de 2008

A diferença entre o comum mortal e o artista é que o artista tem consciência da poesia que há no mundo. A diferença entre o artista e o criador é que o criador não só tem essa consciência como também a perpetua criando a poesia e sendo essa mesma poesia que cria: sendo poeta e poema num só.
O filme, ou a experiência cinematográfica, (que é a única coisa que podemos avaliar: é impossível anular a influência da nossa personalidade na observação de um acontecimento), vale enquanto símbolo ou representação de uma mensagem que transcende o que há no filme de físico e limitado. Portanto, a grandeza dum filme é tanto maior quanto maior é a sua mensagem e o desejo de se tornar mensagem inteligível e contribuir para o avanço da humanidade. A arte cuja função não ultrapassa uma simples contemplação estética da obra física (e não do símbolo) é pura masturbação intelectual e pode ser descartada a qualquer altura sem perigo de detrimento para o observador.