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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Alice no País das Maravilhas

O próximo projecto a concluir será o de traduzir e adaptar à cultura lusófona o romance de Lewis Carroll Alice's Adventures in Wonderland para a linguagem dramática. Claro que o principal objectivo de tudo isto é, obviamente, a encenação. Vamos ver o destino nos reserva...

Um pequeno excerto:


ALICE - Pode dizer-me, por favor, para que lado devia ir daqui em diante?
GATO DE CHAVES – Isso depende em muito do sítio onde queres chegar.
ALICE – Não me importo muito com isso.
GATO DE CHAVES – Então não te importa o sítio que escolhas.
ALICE (acrescenta) – … desde que eu chegue a algum sítio (frisa o “algum sítio”).
GATO DE CHAVES – Oh, de certeza que sim, se caminhares o suficiente.
Alice sente que tal não pode ser negado, e assim ela tenta outra pergunta.
ALICE – Que tipo de pessoas vivem aqui?
GATO DE CHAVES – Naquela direcção (o Gato aponta para a direita) vive um Chapeleiro: e naquela direcção (o Gato aponta para a esquerda) vive a Lebre Marciana. Visita qualquer um deles: são os dois malucos.
ALICE – Mas eu não quero ir para o meio de gente maluca.
GATO DE CHAVES – Oh, não podes evitar isso, aqui nós somos todos malucos. Eu sou maluco. Tu és maluca.
ALICE – Como é que sabes que eu sou maluca?
GATO DE CHAVES – Tens de ser, ou não terias vindo aqui.


Alice no País das Maravilhas (inédito)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Let the sunshine in

Depois do brilhante Across the Universe, uma autêntica obra-prima vinda de uma grande artista, eis que alguém ouviu as minhas preces do outro lado do Atlântico! O New York Times de 5 de Agosto de 2008 anuncia que:




Hair’ Revival: A Time Warp for Tears and Fun

by PATRICIA COHEN





Felice Friedman remembers seeing the original production of “Hair.” She was 19 and had traveled to Broadway’s outlands, downtown on Lafayette Street, where Joseph Papp inaugurated the Public Theater with this revolutionary rock musical 41 years ago.

“It was fresh and thrilling and young and energetic,” Ms. Friedman, 59, said on a recent humid night in Central Park during intermission at the Public’s outdoor revival of “Hair.”

The question, of course, is whether this latest incarnation of the hit show, which formally opens on Thursday, will be able to capture that feeling of immediacy and relevance. Perhaps more than any musical, “Hair” is embedded in time. Its score became the soundtrack of a generation enraged by the war in Vietnam and disillusioned with traditional American values; a yelp against consumerism, sexual repression, racism, pollution and conformity. During performances in San Francisco, a mecca for hippies who would often wander onto the stage and dance with the cast, it could be difficult to discern the difference between fiction and reality.



Hair é um musical de 1967 que teve um sucesso enorme por toda a América, passando pela Broadway e por vários outros estados norte-americanos, multiplicando-se além-fronteiras e desembocando num filme, também musical, concluído em 1979 por Milos Forman (o autor de pérolas como Amadeus) e que mantém hoje a sua frescura original tão intacta como há quase 30 anos atrás. Duas das músicas que nele figuram são conhecidíssimas, e verdadeiros statements que marcaram e ainda marcam a cultura da humanidade: uma é a Aquarius, que fala sobre a chegada da Era de Aquário; a outra é a Let the Sunshine In, que também dispensa apresentações. É incrível como estes pedaços de cultura, ainda que herdeiros directos do seu contexto histórico, conseguem resistir à passagem do tempo e manter viva toda a sua energia.


Quanto a Portugal, parece que ninguém ouviu o que disse. Mas algum eco das minhas palavras deve ter chegado até New York City! A teimosia americana em ostentar como seu o estandarte imperialista da Roma Antiga está a fazer aparecer, por todo o lado, coisas interessantes. Quando olhamos para o cinema que se faz hoje em dia, os exemplos abundam! Só em Portugal é que a polémica arrefece antes mesmo de ser parida...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Nos tempos que correm até a digníssima arte da representação é manchada por meia-dúzia de rapazes imberbes e raparigas inúteis que alimentados por promessas ocas e vãs de fama fácil pela vida fora saem disparados de agências de modelos e vão para capitalistas estações de televisão que só obedecem a uma e mais nenhuma lei, na verdade a pior de todas, a lei dos mercados e dos mercadores.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Todo o realizador de cinema ou mero crítico tem de ser instruído na arte da representação. Não é possível dirigir actores numa peça, seja ela filmada por câmaras ou não, se não se sabe o significado da palavra representação. O realizador tem de sentir aquilo que o actor sente para poder criar uma peça de teatro autêntica, ou um filme que viva e respire como algo verdadeiro. A matriz do cinema é o teatro. Não é possível ser-se autêntico sem compreender o que está na matriz. O crítico de cinema precisa de ser instruído na arte da representação por, sobretudo, duas razões: primeiro, para saber o que é o sentimento e o que é sentir, e não se esquecer de que a intensidade dramática das personagens é apenas o meio pelo qual elas comunicam entre si e se tornam comunicáveis a todos; segundo, para compreender a intensidade que a palavra pode ter, não como elemento dramático ou representação de uma emoção, mas sim como símbolo de uma realidade conceptual, de uma mensagem que se cumpre pela palavra apenas para se tornar inteligível; de um signo limitado e finito que representa uma realidade infinita e abstracta, e que é a única coisa pela qual vale a pena produzir uma obra de arte.

domingo, 6 de julho de 2008

Um filme não é proporcionalmente grandioso à intensidade dramática dos actores, apenas à mensagem que representa.