quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Alice no País das Maravilhas
Um pequeno excerto:
ALICE - Pode dizer-me, por favor, para que lado devia ir daqui em diante?
GATO DE CHAVES – Isso depende em muito do sítio onde queres chegar.
ALICE – Não me importo muito com isso.
GATO DE CHAVES – Então não te importa o sítio que escolhas.
ALICE (acrescenta) – … desde que eu chegue a algum sítio (frisa o “algum sítio”).
GATO DE CHAVES – Oh, de certeza que sim, se caminhares o suficiente.
Alice sente que tal não pode ser negado, e assim ela tenta outra pergunta.
ALICE – Que tipo de pessoas vivem aqui?
GATO DE CHAVES – Naquela direcção (o Gato aponta para a direita) vive um Chapeleiro: e naquela direcção (o Gato aponta para a esquerda) vive a Lebre Marciana. Visita qualquer um deles: são os dois malucos.
ALICE – Mas eu não quero ir para o meio de gente maluca.
GATO DE CHAVES – Oh, não podes evitar isso, aqui nós somos todos malucos. Eu sou maluco. Tu és maluca.
ALICE – Como é que sabes que eu sou maluca?
GATO DE CHAVES – Tens de ser, ou não terias vindo aqui.
Alice no País das Maravilhas (inédito)
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Let the sunshine in
‘Hair’ Revival: A Time Warp for Tears and Fun
by PATRICIA COHEN

Felice Friedman remembers seeing the original production of “Hair.” She was 19 and had traveled to Broadway’s outlands, downtown on Lafayette Street, where Joseph Papp inaugurated the Public Theater with this revolutionary rock musical 41 years ago.
“It was fresh and thrilling and young and energetic,” Ms. Friedman, 59, said on a recent humid night in Central Park during intermission at the Public’s outdoor revival of “Hair.”
The question, of course, is whether this latest incarnation of the hit show, which formally opens on Thursday, will be able to capture that feeling of immediacy and relevance. Perhaps more than any musical, “Hair” is embedded in time. Its score became the soundtrack of a generation enraged by the war in Vietnam and disillusioned with traditional American values; a yelp against consumerism, sexual repression, racism, pollution and conformity. During performances in San Francisco, a mecca for hippies who would often wander onto the stage and dance with the cast, it could be difficult to discern the difference between fiction and reality.
Hair é um musical de 1967 que teve um sucesso enorme por toda a América, passando pela Broadway e por vários outros estados norte-americanos, multiplicando-se além-fronteiras e desembocando num filme, também musical, concluído em 1979 por Milos Forman (o autor de pérolas como Amadeus) e que mantém hoje a sua frescura original tão intacta como há quase 30 anos atrás. Duas das músicas que nele figuram são conhecidíssimas, e verdadeiros statements que marcaram e ainda marcam a cultura da humanidade: uma é a Aquarius, que fala sobre a chegada da Era de Aquário; a outra é a Let the Sunshine In, que também dispensa apresentações. É incrível como estes pedaços de cultura, ainda que herdeiros directos do seu contexto histórico, conseguem resistir à passagem do tempo e manter viva toda a sua energia.
Quanto a Portugal, parece que ninguém ouviu o que disse. Mas algum eco das minhas palavras deve ter chegado até New York City! A teimosia americana em ostentar como seu o estandarte imperialista da Roma Antiga está a fazer aparecer, por todo o lado, coisas interessantes. Quando olhamos para o cinema que se faz hoje em dia, os exemplos abundam! Só em Portugal é que a polémica arrefece antes mesmo de ser parida...