quinta-feira, 4 de junho de 2009

tudo o que as pessoas fazem é escrever uma biografia. Podem escrevê-la com palavras, podem escrevê-la com sons ou imagens; mas é ainda uma biografia, e mesmo quando desenvolvem uma matemática. Tudo aquilo que fazemos é uma expressão daquilo que somos, sejamos cientistas ou actores. É impossível ser-se perfeitamente objectivo em relação a um assunto. Não é possível distinguir facto de ficção. Não é possível ao cientista anular a sua influência na experiência que realiza - o próprio método experimental é uma perturbação levada a cabo pelo experimentador. Não é possível ao jornalista ser completamente isento. Não é possível ao historiador relatar o passado tal como ele aconteceu. Existem tantas leis como cientistas, e tantas notícias como jornalistas, e tantas visões do passado como historiadores. Não existem generalizações perfeitamente válidas. A função da ciência não é descobrir a verdade, se é que ela existe, mas apenas encontrar os melhores modelos que explicam as observações feitas. A função do jornalismo é informar acerca do que acontece no mundo, explicar os acontecimentos de uma forma simples para que toda a gente os possa compreender e tomar uma atitude crítica face aos acontecimentos para pôr em relevo o que deles é mais importante. A função da história é procurar mostrar simplesmente aquilo que realmente aconteceu, e não tentar provar teorias filosóficas, económicas ou sociais; os padrões que emergem de um estudo, se eles existirem, devem ser considerados; mas a principal função da pesquisa histórica é a de pôr em evidência os assuntos que no nosso contexto histórico são mais importantes pela reconstrução do modo como eles foram encarados ao longo do tempo e pela análise crítica do seu desenvolvimento. Dadas as características do mundo em que vivemos, é preciso desenvolver uma matéria no sentido mais utilitário que nos é possível; isto é, é preciso desenvolver essa matéria porque o desenvolvimento vai ser útil para a realização de uma obra importante neste mundo.

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