domingo, 9 de novembro de 2008

o mundo parece por vezes tão belo, e tão belo de uma beleza tão rara que não há palavras que possam ser inventadas para a descrever em todas as suas subtis cambiantes e tonalidades matizadas sem princípio nem fim; o problema é que, por vezes, e tantas vezes por demasiado tempo, é costume sobrevir a sofreguidão e a estupidez humana para abafar e manchar essa centelha de divino que dança em cada um de nós. A nossa humana existência vive mergulhada nesta dualidade indissociável que procuramos a todo o custo transcender, sempre tentando aproximarmo-nos do verdadeiro Ideal mais puro, mas sempre descrendo no poder dos outros para inventar um caminho que chegue à meta mais depressa: é preciso trepar pelas barreiras da boçalidade e do lugar-comum; é preciso vencer o facilitismo com ideais de uma forte fibra kantiana; é preciso dispender energia para exercitar os músculos que nos permitirão ascender aos lugares mais elevados da existência. Que os outros gostem desta terra que hoje temos, que os outros não façam nada para a erguerem a outro nível, isso é lá com eles; para nós, aqueles que trabalhamos incansavelmente, noite e dia, ao sol e à chuva, por sobre a terra e por sobre o mar, para além de tudo e todos, por um mundo que veja nascer o sol por inteiro; para nós que ousamos remar contra a corrente para voltar à primordial origem da vida; para nós que tudo fazemos e tudo damos para construir essa escadaria infinita até ao céu; para nós que, livres de críticas medíocres ou de más-vontades seguimos sempre a direito o nosso rumo; para nós que não conhecemos outra vida que não esta, que sentimos esta como a única vida que é possível viver num mundo como este; para nós, a realidade é demasiado preciosa para ser desperdiçada em coisas fúteis ou triviais: em cada instante cabe a nós, e só a nós, plantar a semente do mundo futuro que certamente despontará; do mundo que é impossível não chegar; do mundo que caminha a passos largos para a sua instauração neste tempo e neste espaço, nem que nos tenhamos que livrar de ambos; do mundo que é o único mundo digno para o desenvolvimento do potencial de cada um, e onde o sonho é uma realidade que vive, e respira, e se cumpre.

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