quinta-feira, 12 de julho de 2007

Níveis de Motivação

Existem três níveis de motivação para cada indivíduo:

1) Nível semântico (dos significados)
Aquilo que motiva o indivíduo é apenas e somente aquilo que tem para ele algum significado (pessoal), seja qual for o significado que esse indivíduo lhe atribui. O indivíduo move-se pelos instintos que nascem da sua individual valoração positiva ou negativa, procurando os objectos aos quais associou a primeira e distanciando-se dos objectos aos quais associou a segunda. O indivíduo diz-se centrado em si mesmo, isto é, na sua única e própria esfera de valorações.

2) Nível cognitivo (da aprendizagem)
Para um indivíduo superior, plenamente receptivo a todos os estímulos que capta do seu ambiente (exterior e interior), há um descentramento da sua rede de associações valorativas. A valoração já não reside em si, mas apenas no prazer que pode extrair da aprendizagem do que lhe é exterior e do que lhe é interior. Não existe um objecto que lhe seja desinteressante; por outra, tudo é considerado interessante e passível de ser conhecido por vontade própria. Estes indivíduos podem experimentar um sentimento de ligação mística com o universo de estímulos que se lhes apresenta. Porém, podem também sofrer de uma incapacidade na definição precisa e concreta de um único objectivo ou meta face à sua valoração. O seu pensamento divergente e extremamente fluido pode levar a uma dispersão da sua atenção, e à incapacidade de realização concreta de uma qualquer tarefa a que se proponham.

3) Nível existencial (do acto)
Para um indivíduo verdadeiramente superior, ultrapassado esse primeiro momento de dispersão da sua atenção mediante todos os estímulos que existem no meio, existe a consciência de que não é possível conhecer todos os estímulos que se nos apresentam. As causas são óbvias: a quantidade de estímulos recebida por instante é muito superior à capacidade perceptiva humana, interpretar cada um desses estímulos requer grandes intervalos de tempo, e portanto elaborar respostas a cada um desses estímulos também não é humanamente possível, a vida humana é limitada pelo nascimento e morte sendo demasiado pequena para receber, interpretar e responder a todos os estímulos, etc. Para o indivíduo verdadeiramente superior que chega a esta inevitável conclusão, só é possível um caminho: de entre todos os estímulos existentes, escolher interpretar e responder apenas àqueles que permitem um maior e mais rápido desenvolvimento da sua personalidade.


Hoje em dia, a grande maioria das pessoas não passa do nível semântico, o mais centrado de todos. Daí decorre que a vida, actualmente, seja sobretudo uma luta pela sobrevivência, no sentido mais darwiniano do termo. Para as pessoas que atingiram o nível cognitivo, a vida não é nada fácil, dado que a maioria das pessoas não passa do nível semântico e, portanto, se atropela mutuamente para satisfazer os seus instintos. Estima-se que a maior parte das pessoas que reside no nível cognitivo não sobreviva facilmente, sendo seleccionada negativamente. Tanto maior é esta selecção negativa quando maior e mais completa for a capacidade perceptiva da pessoa, isto é, quanto maior for a sua inteligência. Daí decorre que grande parte das pessoas mais inteligentes do mundo está a ser seleccionada negativamente, no sentido darwiniano do termo. Em raríssimos casos, existe uma pessoa que passa para o nível existencial. Essas são as pessoas que se encontram mais bem adaptadas ao ambiente em que vivemos, já que possuem uma inteligência superior e, ao mesmo tempo, sabem como devem expressá-la no contexto em que se encontram, ou seja, têm a capacidade de canalizar de forma faseada a sua motivação para, não obscurecendo ou atrofiando a sua inteligência, poder expressar um fenótipo que é qualitativamente superior relativamente à aptidão evolutiva da maior parte das pessoas. Só estas pessoas é que fazem realmente andar o mundo, sendo que as do nível cognitivo não podem senão preparar o mundo para a mudança que pelas primeiras é desempenhada.

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