sábado, 26 de julho de 2008

a competição é a maneira mais rápida de atingir a comunhão.



Um dia, quando a Biologia, e especialmente a interessantíssima área da Sociobiologia, estiver mais desenvolvida, vamos chegar à conclusão de que todos os seres, em todos os momentos, tendem para a comunhão, e não para a competição. Como advoga a Professora Lynn Margulis, a sobrevalorização da competição em detrimento da comunhão deve-se essencialmente à tacanhez do espírito humano, pois encontra-se este no mundo em que hoje vivemos impregnado de terríveis conceitos e princípios económicos, na sua maioria capitalistas, e que minam todo o pensamento que se quer perfeitamente científico. Aliada a esta deturpação dos fenómenos que leva ao menosprezo dos processos simbiogénicos, está a pretensa atitude ateia, tantas vezes escorregando no antirreligiosismo, e que não deixa de ser mais uma forma de fanatismo religioso disfarçado com equações matemáticas. Curiosíssima é a constatação de que até o próprio Darwin, tantas vezes apontado como o sacerdote do "salve-se quem puder" social, deixou claro nos seus escritos, num prenúncio que até se poderia classificar como poético, que a divergência das espécies mais parece mostrar que elas são avessas a essa mesma competição: divergindo, isto é, modificando-se, podem passar a especializar-se de modos diferentes e ocupar diferentes nichos ecológicos dentro de um mesmo ecossistema, evitando a todo o custo esse peso que é ter de competir com o seu semelhante por alimento e espaço.

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